Carros japoneses podem ficar mais baratos no Brasil? Entenda o acordo entre Japão e Mercosul

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concordaram em iniciar negociações para um Acordo de Parceria Econômica (APE) que deverá baratear as exportações de veículos e autopeças produzidos no país asiático.
O anúncio foi feito durante encontro entre os dois líderes na França, onde participaram da cúpula do G7 realizada nesta semana. A abertura formal das negociações também foi confirmada em nota conjunta divulgada pelos governos.
Ainda não existe nenhuma redução de imposto aprovada nem previsão oficial para mudanças nos preços, mas a discussão já desperta total interesse do setor automotivo, e não por menos.
Atualmente, veículos importados de mercados que não possuem acordos comerciais com o bloco estão sujeitos a tarifas que podem chegar a 35% de imposto de importação. Esse percentual é um dos fatores que encarecem a chegada de diversos modelos estrangeiros ao mercado brasileiro.
Além do setor automotivo, o Japão pretende ampliar as exportações de produtos agrícolas, florestais e pesqueiros para o Mercosul. Em contrapartida, o acordo também é visto como estratégico para garantir o fornecimento contínuo de minerais críticos, petróleo e outros recursos naturais produzidos pelos países do bloco.
Por que algumas marcas japonesas podem ganhar mais com o acordo?
Toyota, Honda, Nissan e Lexus, divisão de luxo da Toyota, aparecem entre as fabricantes que potencialmente poderão ser mais beneficiadas já que alguns de seus modelos acabam se tornando inviáveis para o mercado brasileiro em razão da atual tributação sobre importados.
A redução de barreiras para componentes e autopeças também poderá beneficiar fabricantes com operações industriais instaladas no Brasil, contribuindo para reduzir custos de produção e ampliar a oferta de tecnologias. Isso ganha relevância porque as alíquotas de importação de autopeças atualmente variam entre 14% e 18%, percentual que também pesa na estrutura de custos da indústria automotiva.
Os carros japoneses realmente ficarão mais baratos?
Ainda é cedo para afirmar. Uma eventual redução tarifária não significa automaticamente uma queda proporcional nos valores dos veículos.
Custos logísticos, câmbio, tributação interna, volume de vendas e estratégias comerciais das montadoras continuam influenciando diretamente o valor final cobrado ao consumidor.
Por outro lado, tarifas menores tendem a melhorar a competitividade dos importados japoneses. Isso pode resultar em condições mais favoráveis de preço em alguns segmentos e ampliar a concorrência dentro do mercado nacional, mas a experiência de outros acordos comerciais mostra que esse tipo de mudança costuma ocorrer de forma gradual.
Um caso semelhante é o acordo firmado entre Mercosul e União Europeia. O entendimento prevê reduções tarifárias graduais ao longo de vários anos, e não uma eliminação imediata das barreiras comerciais.
Se as negociações entre Japão e Mercosul seguirem uma lógica parecida, eventuais impactos sobre preços, oferta de veículos e importações devem aparecer de forma progressiva.
O que isso pode significar para o mercado brasileiro?
O principal impacto pode não estar apenas nos preços, mas na concorrência.
O Brasil é um dos maiores mercados automotivos da América Latina e atravessa um período de transformação impulsionado pela eletrificação, a chegada de novas marcas e o aumento da disputa entre fabricantes globais.
Nesse cenário, a aproximação comercial entre Japão e Mercosul poderá estimular investimentos, ampliar a oferta de veículos e fortalecer a presença de fabricantes japonesas em segmentos estratégicos do mercado brasileiro.