Salão de Pequim 2026: novas montadoras chinesas aceleram chegada ao Brasil e antecipam próximos lançamentos

Milhares de visitantes de diferentes partes do mundo circulam pelos pavilhões do Salão do Automóvel de Pequim, que segue até 3 de maio e traz as principais novidades da indústria automotiva global.
O evento é um dos maiores do mundo e reúne mais de 1.500 expositores, com centenas de lançamentos e impacto direto no mercado automotivo brasileiro, afinal, montadoras chinesas como BYD e GWM já ampliam participação no Brasil e aceleram a eletrificação, abrindo espaço para a chegada de novos players no país.
Esse avanço explica por que entramos no radar dessas fabricantes e por que o evento antecipa os próximos lançamentos que devem chegar por aqui.
Marcas que aceleram a chegada ao Brasil com estratégias bem definidas
O Salão de Pequim 2026 mostra que a próxima onda de expansão das montadoras chinesas no Brasil será liderada por grupos com estratégias complementares, que atuam em diferentes segmentos e faixas de preço.
Entre os movimentos mais relevantes está a chegada da Dongfeng, que prepara uma operação agressiva no Brasil. A estreia começa com modelos mais acessíveis, como o compacto elétrico Box e o SUV Vigo, previstos para 2026, mas o plano já inclui a linha M-Hero a partir de 2027 – com SUVs de luxo e potências acima de 1.000 cv. A marca também projeta abrir 26 concessionárias logo no início da operação.

Outro nome que avança com estratégia definida é a BAIC, que confirmou sua chegada ao país ainda este ano. O plano envolve quatro modelos de largada, incluindo o elétrico Arcfox T1, posicionado para disputar espaço com o BYD Dolphin, além do SUV híbrido BJ30 com tração integral e 409 cv e uma picape média voltada ao uso urbano e comercial.

No campo premium, a ofensiva ganha força com a Exeed, que também avalia estreia no Brasil nos próximos meses. A divisão de luxo da Chery aposta em SUVs mais sofisticados, como o RX, com proposta tecnológica e autonomia combinada que pode ultrapassar 1.300 km, além do VX, um utilitário de sete lugares com quase cinco metros de comprimento.

Já a IM Motors – sigla para Intelligent Mobility – surge como uma das apostas mais tecnológicas do grupo. Confirmada para o segundo semestre de 2026, a marca trabalha com conceito de “carros definidos por software” e deve estrear com o SUV elétrico LS6, equipado com arquitetura de alta tensão para recargas rápidas e cabine dominada por telas.

A estratégia também inclui marcas com apelo mais emocional e de design. É o caso da Lepas, que estreia como divisão “premium-lifestyle”, com SUVs elétricos que apostam em visual mais ousado e inspiração em marcas esportivas. Os primeiros modelos previstos são o Lepas 4 e o Lepas 6.

Fechando esse grupo, a Lotus confirmou retorno ao Brasil com uma linha completamente reposicionada. A fabricante passa a atuar com elétricos de alto desempenho, como o SUV Eletre, que pode chegar a 918 cv, e o sedã Emeya, focado em performance e aerodinâmica, além do esportivo Emira, último modelo a combustão da fabricante.

Novos carros revelam estratégia que vai do popular ao luxo extremo
Se as marcas mostram a direção, os modelos apresentados em Pequim indicam como essa disputa deve acontecer na prática.
No topo da cadeia, o destaque fica para propostas de alto desempenho. A Denza Z9 GT, da divisão premium da BYD, surge como um dos exemplos mais extremos: são cerca de 1.000 cv combinados e aceleração de 0 a 100 km/h na faixa dos 2 segundos, além de tecnologias como esterçamento traseiro avançado.

Outro nome que chama atenção é o GWM Tank 700, um SUV de grande porte com motor 3.0 V6 híbrido plug-in que entrega cerca de 870 cv. A proposta mistura luxo e capacidade off-road, mirando diretamente modelos como o Mercedes-Benz Classe G.

Na mesma linha, o Wey G9 aposta em máximo conforto, com configuração de seis lugares, poltronas inspiradas em classe executiva e foco em experiência a bordo, voltado ao mesmo público de SUVs como Volvo XC90 e BMW X7.

Mas a estratégia não se limita ao topo. No volume, a eletrificação adaptada ao Brasil ganha protagonismo. O novo BYD Song Pro chega com sistema híbrido flex desenvolvido localmente e deve ser um dos pilares da produção nacional em Camaçari (BA).
Na mesma direção, o GWM Tank 300 recebeu um sistema híbrido plug-in flex, pensado para o uso com etanol, com pré-venda já iniciada no país.
Entre os elétricos e soluções híbridas mais avançadas, o Leapmotor C16 traz tecnologia EREV, em que o motor a combustão atua apenas como gerador, o que aumenta a autonomia total do conjunto. Já o Zeekr 001 evolui com arquitetura de 800V, que permite recargas mais rápidas e maior eficiência energética.

No segmento mais acessível, aparecem modelos com foco em volume e custo competitivo. O Dongfeng Box deve atuar na faixa entre R$ 130 mil e R$ 150 mil, com proposta de acabamento acima da média. Já o GWM Ora 05 chega como rival direto do BYD Yuan Plus, com versão elétrica de 204 cv e possibilidade de variação híbrida.
Outros nomes reforçam essa diversificação, como o Jaecoo 8, um modelo de sete lugares com até 605 cv, e o GAC Aion UT, que prioriza espaço interno e uso urbano em larga escala.
O que essas marcas pretendem vender no Brasil
O portfólio previsto para o Brasil mostra uma estratégia ampla das montadoras chinesas, com atuação simultânea em diferentes segmentos.
Os planos incluem desde SUVs elétricos e híbridos – hoje os modelos mais demandados – até carros compactos elétricos voltados ao uso urbano, além de veículos premium com foco em desempenho e tecnologia embarcada.
Essa diversidade reforça uma mudança estrutural no mercado automotivo brasileiro, com novas marcas disputando espaço não apenas por preço, mas também por tecnologia, eficiência energética e experiência ao volante.