O Brasil tem trechos de estrada em que a paisagem justifica sozinha a viagem. Entre tantas opções pelo país, selecionamos cinco rotas que se destacam por reunir curvas em meio a serras, mirantes de tirar o fôlego e litoral preservado.
É o tipo de caminho em que vale desacelerar e parar o carro só para fotografar. Cada rota tem uma identidade própria: algumas ganham fama pelas curvas e pela altitude, outras pela história ou pelo contraste entre estrada e mar, o que permite planejar roteiros bem diferentes dentro do país sem repetir paisagem.
Antes de sair, vale reservar um tempo extra no roteiro. Estradas assim pedem paradas em mirantes sinalizados, e correr contra o relógio tira a graça da viagem e ainda pode comprometer a segurança nas curvas mais fechadas.
1. Serra do Rio do Rastro (SC)

Na SC-390, entre os municípios de Lauro Muller e Bom Jardim da Serra, a Serra do Rio do Rastro é considerada a estrada mais fotografada de Santa Catarina.
O trecho de serra soma cerca de 35 quilômetros e reúne, segundo relatos de quem já percorreu a via, algo em torno de 284 curvas até o mirante principal, a mais de 1.400 metros de altitude.
Em dia de céu limpo, dá para enxergar até 100 quilômetros dali. Por isso, o horário entre 11h e 15h costuma ser o mais indicado para fotografar, já que fora dessa janela a neblina tende a encobrir o vale, reduzir a visibilidade e tornar as curvas mais arriscadas.
2. Estrada da Graciosa (PR)

A Estrada da Graciosa, oficialmente a PR-410, atrai fotógrafos porque atravessa um trecho preservado da Mata Atlântica na Serra do Mar, ligando Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, a Morretes e Antonina, no litoral paranaense.
Ela foi construída ao longo de quase duas décadas e inaugurada em 1873, e parte de seu leito ainda conserva o piso original de paralelepípedos.
Em 1986, o trecho da Serra do Mar onde a estrada está situada foi tombado como patrimônio histórico, segundo a Secretaria de Cultura do Paraná.
Tombamento é o reconhecimento oficial de que um local tem valor histórico ou cultural, o que limita mudanças na estrutura original.
Isso ajuda a explicar por que a Graciosa preserva até hoje o clima de estrada antiga cercada por floresta densa, um cenário raro tão perto de uma capital.
3. Mirante do Soberbo (RJ)

Às margens da BR-116, na divisa entre Guapimirim e Teresópolis, no Rio de Janeiro, fica o Mirante do Soberbo, ponto de parada que revela o Pico Dedo de Deus, um dos símbolos do alpinismo no país.
Do local mais alto, também dá para avistar a Serra dos Órgãos e, em dias claros, a Baía de Guanabara ao fundo.
A vista reúne montanha e litoral no mesmo enquadramento, o que torna o Soberbo um dos pontos mais citados por quem sobe a serra fluminense de carro.
Como o mirante fica às margens de uma rodovia federal com tráfego relevante, o ideal é estacionar apenas nas áreas sinalizadas para isso, sem parar no acostamento para fotografar.
4. AL-101 Norte (AL)

A AL-101 Norte liga Maceió a São Miguel dos Milagres em um trajeto de cerca de 100 a 110 quilômetros, passando por Barra de Santo Antônio, Paripueira e Porto de Pedras, e é a estrada que mostra o litoral mais preservado de Alagoas.
No caminho, ela dá acesso a praias como Patacho, Toque e Morro, com coqueirais, falésias, manguezais e lagoas ao longo da via.
Diferente das rotas serranas do Sul e Sudeste, aqui o cenário ganha em contraste de cor, entre o verde dos coqueirais e o azul do mar, e a estrada bem sinalizada facilita paradas curtas para fotos.
5. BR-242 e o Morro do Pai Inácio (BA)

Batizada de Rodovia Milton Santos, a BR-242 soma 2.311,7 quilômetros entre a Bahia e o Mato Grosso, mas o trecho que corta a Chapada Diamantina, no interior baiano, é o mais procurado por quem viaja de carro pela paisagem.
No quilômetro 345, no município de Palmeiras, fica o Morro do Pai Inácio, formação rochosa de 1.150 metros de altitude com vista panorâmica da Serra do Sincorá.
O morro fica a cerca de 26 quilômetros de Lençóis e 28 quilômetros de Palmeiras, e é conhecido por reunir viajantes no fim da tarde para ver o pôr do sol, considerado um dos mais famosos da região.
A subida até o topo leva cerca de 25 minutos, em trilha curta, porém íngreme, com funcionamento das 9h às 17h.
Como aproveitar essas estradas sem comprometer a segurança?
Dá para aproveitar essas cinco estradas com segurança seguindo alguns cuidados simples antes de sair e durante o percurso.
Confira o horário de luz do dia e a previsão de chuva ou neblina, principalmente nos trechos de serra, onde a visibilidade muda rápido.
Em seguida, planeje as paradas com antecedência, já que a maioria dos mirantes citados tem estacionamento próprio ou faixa sinalizada para isso.
- Pare apenas em mirantes e faixas sinalizadas para estacionar, nunca no acostamento;
- Evite subir serras como o Rio do Rastro ou a Graciosa em dias de chuva forte ou neblina densa;
- Tire as fotos sempre com o carro parado e o motor desligado, sem exceção.
Assim, a viagem rende as imagens que valem a pena sem colocar em risco quem está no carro ou na estrada.
Estradas como essas mostram que, no Brasil, boa parte do que há de mais bonito para fotografar está espalhado pelo caminho, não só no destino final.