A Ford exibiu na última segunda-feira (28), em General Pacheco, na Argentina, um protótipo de pré-série da Ranger híbrida plug-in (PHEV, que pode ser recarregada na tomada).
A picape será produzida na fábrica argentina a partir de 2027 e tem chegada prevista ao Brasil no mesmo ano, com motor 2.3 EcoBoost adaptado para rodar com etanol e gasolina.
A apresentação fez parte das comemorações de 65 anos do complexo industrial, que também mostrou a nova Ranger Tremor, versão voltada ao fora de estrada.
A Ford ainda não divulgou a ficha técnica da Ranger PHEV sul-americana. A referência disponível é a versão já vendida na Europa, fabricada na África do Sul: segundo a marca, ela entrega 281 cv de potência combinada e 697 Nm (71,1 kgfm) de torque, com bateria de 11,8 kWh e até 43 km de autonomia elétrica no ciclo europeu WLTP.
Se mantiver esse torque, será a Ranger mais "forte" da história da linha.
De acordo com Martín Galdeano, presidente da Ford Argentina e América do Sul, a produção da PHEV começa no segundo trimestre de 2027. O projeto recebeu US$ 170 milhões de investimento.
O que a Ford mostrou em Pacheco?
A marca exibiu protótipos de testes da Ranger PHEV e da Ranger Tremor, ainda com camuflagem leve, além de uma maquete que expõe a distribuição dos componentes a combustão e elétricos da versão híbrida.
O evento celebrou os 65 anos da planta de Pacheco, a cerca de 38 km de Buenos Aires, que já produziu mais de 3,5 milhões de veículos desde 1961.
Hoje a Ranger domina a linha de montagem, e cerca de 70% da produção é exportada para a América Latina.
A Ranger PHEV será a primeira picape eletrificada da marca produzida na América do Sul. O aporte de US$ 170 milhões integra um investimento acumulado de US$ 870 milhões no projeto Ranger na Argentina.
Qual motor a Ranger híbrida vai usar?
A versão brasileira combinará o motor 2.3 EcoBoost turbo, convertido para flex, a um motor elétrico de 102 cv (75 kW) integrado ao câmbio automático de dez marchas.
Executivos da Ford já haviam antecipado que a picape terá especificações dedicadas ao Brasil, a começar pelo motor flex.
O conjunto usa a arquitetura Modular Hybrid Transmission (MHT, transmissão híbrida modular). Nela, o motor elétrico fica entre o motor a combustão e o câmbio, sem motores elétricos separados nos eixos.
Assim, a picape pode rodar só com eletricidade, só com o motor a combustão ou com os dois juntos.
A conversão para flex tem também um objetivo tributário: segundo a Quatro Rodas, a ideia é enquadrar a picape em uma faixa mais favorável do programa federal Mover (Mobilidade Verde e Inovação).
A mesma publicação aponta que será o primeiro modelo flex da Ford vendido no Brasil desde o fim da produção nacional da marca, em 2021.
Ela terá mesmo o maior torque da história da Ranger?
Pelos números oficiais da versão europeia, sim: 697 Nm (71,1 kgfm) superam os 61,2 kgfm do V6 3.0 turbodiesel e também o V6 3.0 biturbo a gasolina da Raptor, hoje topo da gama no Brasil. A ressalva é que esse dado vale para o motor 2.3 a gasolina.
A Ford ainda não divulgou potência e torque oficiais da versão flex brasileira. Embora motores turbo ganhem rendimento com etanol, os números para o Brasil seguem como projeção até a divulgação da ficha técnica.
Na versão europeia, a marca fala em 281 PS (equivalente a 281 cv), enquanto a imprensa cita valores entre 279 cv e 281 cv.
Onde fica a bateria e quanto roda no modo elétrico?
A bateria fica sob a caçamba, entre as longarinas do chassi. Segundo a Ford, a solução preserva a rigidez estrutural da picape e melhora a distribuição de peso entre os eixos, o que ficou visível na maquete exibida em Pacheco.
Na versão europeia, a bateria tem 11,8 kWh de capacidade útil e rende até 43 km de autonomia elétrica no ciclo WLTP, de acordo com a fabricante.
Esse é um número de ciclo de homologação: no uso real, com carga na caçamba, ar-condicionado ou estrada, a autonomia tende a ser menor. A versão brasileira terá de passar pela medição do Inmetro, que usa outra metodologia.
A Ford também afirma que a PHEV europeia mantém a capacidade de reboque de 3.500 kg e a carga útil de uma tonelada da Ranger V6 turbodiesel, além de tração integral.
Quando vai chegar ao Brasil?
A chegada ao Brasil está prevista para 2027, mas a Ford do Brasil ainda não divulgou data de lançamento, versões nem preço.
O que há de concreto é o cronograma de produção: segundo Galdeano, em entrevista ao Infobae, a Ranger PHEV entra em linha no segundo trimestre de 2027.
A produção de Pacheco vai atender o mercado latino-americano. Na Europa e na Oceania, a Ranger PHEV (feita na África do Sul) é vendida nas versões Stormtrak e Wildtrak, e a Quatro Rodas aponta que a sul-americana deve seguir a mesma linha. Isso ainda não foi confirmado pela marca.
Também não há previsão oficial de preço. Hoje a Ranger é vendida no Brasil com motores turbodiesel e na versão Raptor V6 a gasolina.
E a Ranger Tremor?
A Tremor usará o mesmo motor 2.3 EcoBoost, sem o sistema elétrico, e terá proposta fora de estrada abaixo da Raptor.
A Tremor deve receber suspensão elevada e específica, pneus de uso misto e bloqueio de diferencial, mas a Ford ainda não divulgou a ficha técnica oficial da versão.
Na Argentina, a produção da Tremor está prevista para começar no final de 2026, com chegada ao mercado em 2027. No Brasil, a expectativa da imprensa é de lançamento no primeiro semestre de 2027, também com motor flex.
Por fim, se você deseja uma picape média com baixo consumo no dia a dia urbano sem abrir mão de reboque pesado, a Ranger PHEV tende a ser uma alternativa ao diesel a partir de 2027.
Galdeano afirmou que a versão híbrida deve substituir parte das compras que hoje vão para as versões diesel.
Até lá, vale acompanhar a confirmação dos números da versão flex e do preço, que vão definir se ela compensa frente às Ranger diesel e à BYD Shark.
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