Mais de meio século depois de fazer sucesso nas ruas e nas pistas brasileiras, um nome conhecido por aqui está de volta. A Renault acaba de resgatar o Gordini. Só que, desta vez, em um cupê elétrico de 270 cv.
O modelo marcou época no Brasil durante os anos 1960, quando era produzido pela Willys. Mas o carro que acaba de ser revelado busca inspiração em outro clássico da mesma família: o Renault 8 europeu, lançado em 1964.
Batizado de Renault 8 Gordini Concept, o novo esportivo tem dois lugares, motor e tração traseiros e recupera elementos visuais do original, como a carroceria azul e as duas faixas brancas.
Por enquanto, é só um exercício de estilo. A marca não anunciou produção em série nem planos de trazê-lo ao Brasil.
Mas a volta desse nome é uma boa desculpa para olhar tanto para o que a Renault acaba de criar quanto para a história do pequeno carro que conquistou seu espaço no Brasil há mais de 60 anos.
Renault 8 Gordini Concept mistura referências dos anos 1960 com soluções atuais

Se a mecânica mudou radicalmente, o desenho faz questão de deixar algumas pistas sobre o passado. A carroceria baixa, com apenas 1,27 metro de altura, ganhou formas musculosas, para-lamas bem marcados e proporções bem diferentes das do sedã que serviu de inspiração.
As dimensões ajudam a entender o porte: são 4,12 metros de comprimento e 1,88 m de largura. As rodas têm 19 polegadas na dianteira e 20 na traseira.
Na frente, seis faróis circulares fazem referência aos conjuntos usados nos antigos carros de competição. É mais um detalhe retrô em uma releitura que não tenta simplesmente reproduzir o modelo de 1964.
Por dentro, a Renault também fugiu da fórmula das telas gigantes. Os instrumentos digitais são redondos, enquanto alumínio escovado e dois bancos do tipo concha reforçam a proposta esportiva.

A marca chama essa abordagem de “café racer”, expressão emprestada do universo das motos customizadas. A ideia é simples: eliminar excessos e deixar em evidência apenas o essencial.
Algumas respostas, porém, ficaram para depois. A Renault não revelou capacidade da bateria, autonomia nem números de aceleração.
Mas o Gordini que o Brasil conheceu era outro

Por aqui, a história começou com o Dauphine, produzido pela Willys-Overland. O Gordini chegou em 1962 como uma versão mais potente e refinada, com motor de 845 cm³ na traseira.
Pequeno e leve, também encontrou seu lugar nas competições. Dessa família nasceu o 1093, versão preparada para quem queria desempenho e que fez parte dos primeiros passos de Emerson Fittipaldi no automobilismo.
Tem ainda uma história difícil de ignorar. Em 1964, um Gordini percorreu 50 mil quilômetros praticamente sem parar em Interlagos. Foram 22 dias de prova para enfrentar justamente a fama de fragilidade que acompanhava o carro.
O desafio terminou com 133 recordes nacionais e internacionais reconhecidos pela Federação Internacional do Automóvel (FIA).
A passagem do Gordini pelo mercado brasileiro terminou em 1968. Até lá, 41.045 unidades haviam sido produzidas no país.





