Radar de velocidade média: como funciona e onde já estão no Brasil

Todo condutor quer passar despercebido, mas eles estão por todas as partes. E agora, uma novidade está chamando atenção: o radar de velocidade média.
Diferente do radar fixo tradicional, que registra a velocidade em um ponto específico, esse novo modelo calcula quanto tempo o motorista leva para percorrer todo um trecho da via ou do percurso.
A ideia é que, ao invés de acelerar entre um radar e outro e frear, na última hora, o sistema consiga verificar se o condutor manteve uma velocidade constante e dentro do limite.
O recurso já funciona em vários países da Europa e começa a ganhar espaço também aqui no Brasil, mas em fase de testes e com regulamentação prevista ainda para esse ano.
O que é o radar de velocidade média
O radar de velocidade média é um sistema de fiscalização que mede a velocidade do veículo ao longo de um percurso, e não apenas em um ponto.
Diferente do radar fixo que flagra apenas a velocidade no momento da passagem, o radar de média avalia a conduta do motorista durante todo o trajeto.
O cálculo é feito pela fórmula Vm = distância ÷ tempo enquanto o veículo é registrado por câmeras na entrada e na saída do trecho. Se a média estiver acima do limite, pode ter certeza que vai ter infração.
Para entender na prática: em uma rodovia com limite de 100 km/h, se o motorista percorre 10 km em menos de 6 minutos, significa que sua média foi maior do que a permitida.
Como funciona a fiscalização
O sistema utiliza câmeras que registram as placas dos veículos na entrada e na saída do trecho monitorado. A partir desse registro, um software calcula o tempo de percurso e, consequentemente, a velocidade média.
Nesse modelo, a velocidade e tolerância continuam seguindo as regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), com uma margem de até 7 km/h ou 7%, dependendo do caso.
E você pode estar se perguntando: “e as infrações?”
Conforme os artigos 218 e 220 do CTB, as penalidades vão de médias a gravíssimas. Mas é importante ressaltar que a regulamentação ainda não entrou em vigor. Quando isso acontecer, serão as mesmas aplicadas pelos radares convencionais.
- Até 20% acima do limite: infração média com pagamento no valor de R$130,16 + 4 pontos na CNH;
- De 20% a 50% acima: infração grave com pagamento no valor de R$195,23 + 5 pontos;
- Acima de 50%: infração gravíssima com pagamento no valor de R$880,41 + 7 pontos + suspensão do direito de dirigir.
Onde estão os radares de velocidade média no Brasil
Mesmo ainda sem aplicar multas, os radares de velocidade média já estão em uso em fase educativa:
- São Paulo: testes em avenidas da capital;
- Curitiba (PR): projeto-piloto em vias urbanas;
- Distrito Federal: equipamentos instalados em trechos urbanos;
- Uberaba (MG): na BR-050, usada para monitoramento;
- Rodovias de Minas Gerais: BR-135, BR-116, MG-231 e LMG-754 estão na lista de futuras instalações, aguardando homologação do Inmetro.
A regulamentação nacional deve abrir espaço para que outras capitais e estradas federais adotem o sistema.
O impacto na segurança viária
Segundo a OMS, apenas 1% de redução na velocidade média pode resultar em até 4% menos acidentes fatais.
É nessa linha que o radar de velocidade média atua. Ele estimula uma direção mais constante e ajuda a reduzir o risco de colisões já que previne a prática de acelerar entre os radares e frear de última hora.
Aqui no Brasil, os testes já tiveram os primeiros sucessos com a redução de infrações nos trechos monitorados.
Na Europa, os resultados são muito expressivos. Na Suécia, por exemplo, houvequeda de 61,6% nas mortes e 33,4% nos índices de feridos graves em trechos monitorados.
Mesmo assim, o radar não agrada a todos
Nem todo mundo vê o radar de velocidade média com bons olhos. Alguns reforçam que é mais uma prática da “indústria da multa”, apenas com foco arrecadatório.
Também há quem critique o recurso sob o ponto de vista da privacidade, devido ao rastreamento constante das placas.
Já os especialistas destacam que ele é mais justo, pois avalia a conduta no trecho inteiro, não apenas em um instante isolado.
Futuro da fiscalização eletrônica no Brasil
O próximo passo é a homologação do Inmetro, prevista ainda para esse ano de 2025. A partir daí, o modelo deve se expandir em:
- Rodovias de alto fluxo (estaduais e federais);
- Capitais brasileiras, em vias de grande movimento;
- Integração com sistemas ITS (trânsito inteligente), permitindo análise em tempo real e cruzamento de dados.
Embora ainda existam críticas, uma coisa é certa! O radar de velocidade média veio para mudar a forma como dirigimos.
A tendência é que essa tecnologia se torne cada vez mais comum no Brasil, especialmente em rodovias movimentadas, premiando quem mantém uma condução constante e respeita os limites.
E você, o que acha? Essa medida veio mais para “atrapalhar” do que para ajudar ou é uma boa alternativa para diminuir os riscos no trânsito?
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