Durante anos, os carros 100% etanol perderam espaço no mercado brasileiro.
A dificuldade de partida em temperaturas mais baixas, especialmente nos modelos mais antigos, e a dependência de um único combustível ajudaram a impulsionar a popularização dos motores flex, que passaram a dominar as vendas no país.
Mais de 20 anos depois, a Chevrolet decidiu seguir um caminho que parecia improvável.
A fabricante lançou os novos Onix Eco e Onix Plus Eco, versões calibradas para rodar somente com etanol e enquadradas nos benefícios tributários previstos pelas regras mais recentes do setor automotivo.
O movimento não passou despercebido pelas concorrentes. Volkswagen e Stellantis também estudam alternativas semelhantes para os próximos anos.
A aposta não está ligada a uma volta ao passado, mas às oportunidades criadas pelo programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), que passou a premiar veículos com menor impacto ambiental.
O que fez o etanol voltar ao centro das atenções
As novas regras consideram diversos critérios ambientais para definir a tributação dos veículos. Entre eles está a quantidade de dióxido de carbono emitida por quilômetro rodado.
Para acessar os maiores incentivos previstos pelo governo federal, o modelo precisa registrar emissões inferiores a 83 g de CO² por quilômetro.
Nesse cenário, os carros movidos exclusivamente a etanol aparecem entre os maiores beneficiados, ao lado de elétricos e híbridos flex.
A explicação está na metodologia utilizada pela etiquetagem veicular do Inmetro. Modelos calibrados para funcionar apenas com etanol recebem classificação de emissão zero de CO² por quilômetro rodado, o que melhora sua classificação ambiental nas regras adotadas pelo programa.
Foi justamente essa brecha que permitiu à Chevrolet criar os novos Onix Eco (hatch) e Onix Plus Eco (sedã) nas versões 2027.
Como a Chevrolet conseguiu enquadrar o Onix Eco

Até então, apenas as versões aspiradas e com câmbio manual do Onix conseguiam acessar os benefícios máximos previstos pelas novas regras tributárias.
Para mudar esse cenário, a Chevrolet criou as duas novas versões dedicadas ao etanol como estratégia que permitiu enquadrar uma configuração turbo automática nas exigências do programa.
Enquanto um Onix turbo flex abastecido com gasolina registra cerca de 100 g de CO² por quilômetro rodado, os novos modelos 100% etanol conseguem atender os critérios exigidos.
Com isso, o Onix Eco passou a custar R$ 99.990, valor até 7,8% menor que o de versões equivalentes equipadas com motor turbo flex, mantendo motor turbo e câmbio automático.




