A guerra no Oriente Médio já começou a produzir reflexos no bolso dos brasileiros. Levantamentos do setor mostram que o diesel acumula alta próxima de 20% desde o início do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, movimento que acompanha a disparada do petróleo no mercado internacional.
Em alguns estados, porém, os reajustes já ultrapassam 25%, ampliando a preocupação com os efeitos da crise sobre nossa economia.
A preocupação vai além dos postos de combustíveis. Diferentemente da gasolina, o diesel movimenta caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e grande parte da logística nacional. Quando ele sobe, os efeitos costumam aparecer no transporte de mercadorias, no agronegócio e até nos preços de produtos consumidos no dia a dia.
Esse cenário ajuda a explicar por que especialistas acompanham com atenção os desdobramentos da guerra. Caso as tensões continuem elevadas, a pressão sobre os combustíveis pode se intensificar nos próximos meses.
Quanto o diesel já subiu desde o início da guerra?
De acordo com levantamento divulgado pela Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), o diesel S10 acumulou alta próxima de 18,9% desde o início do conflito. No caso do diesel comum, o avanço supera 22% em algumas regiões.
Os reajustes também aparecem de forma clara nas bombas. Em Minas Gerais, por exemplo, o diesel S500 passou de R$ 5,87 para R$ 7,30 por litro em cerca de um mês, alta de 24%. Já o diesel S10 saiu de R$ 5,95 para R$ 7,50, aumento próximo de 26%.
Na média nacional, o diesel S500 avançou de R$ 6,03 para R$ 7,45 por litro no mesmo período. O diesel S10 passou de R$ 6,09 para R$ 7,57.
Em Campo Grande (MS), o combustível registrou alta de aproximadamente 20,8%, o que reforça que os impactos do conflito já são percebidos em diferentes partes do país.
Por que uma guerra no Oriente Médio afeta o preço do diesel no Brasil?
A explicação começa no petróleo, principal matéria-prima utilizada na produção do diesel.
O Oriente Médio concentra alguns dos maiores produtores de petróleo do planeta e ocupa uma posição estratégica no abastecimento global da commodity. Sempre que um conflito ameaça a produção ou o transporte desse petróleo, os mercados reagem rapidamente.
Antes da escalada das tensões, o barril de petróleo era negociado próximo de US$ 70. Com o agravamento do conflito, a cotação ultrapassou a marca de US$ 100 em alguns momentos, elevando os custos ao longo de toda a cadeia de combustíveis.
Outro fator que ainda preocupa o mercado é o Estreito de Ormuz, região sob influência do Irã por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. Qualquer ameaça à circulação de navios na área costuma provocar forte reação nos preços internacionais.
Embora o Brasil seja produtor de petróleo, o país ainda depende da importação de parte do diesel consumido internamente. Por isso, quando o combustível fica mais caro no exterior, os reajustes acabam chegando ao mercado brasileiro.
Caso as tensões permaneçam elevadas por mais tempo, especialistas alertam que o diesel pode continuar sob influência desse cenário, especialmente se houver novas interrupções na produção ou no transporte de petróleo na região.



