Comprar mais carros não significa necessariamente colocar mais veículos nas ruas, e os números das locadoras mostram bem essa diferença.
Segundo a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA), o setor adquiriu 570 mil veículos até setembro de 2026, contra 420 mil no mesmo período de 2025. Uma alta de 35,7%.
Já a frota deve fechar o ano com 1,8 milhão de veículos, avanço de apenas 4,8%. A diferença tem uma explicação simples: boa parte das compras serve para renovar os automóveis disponíveis, não para ampliar a quantidade oferecida para aluguel.
Os carros retirados de circulação seguem para o mercado de seminovos, ampliando as opções para quem procura um usado mais recente.
Essa troca também movimenta o mercado de zero km: segundo a ABLA, o segmento deve responder por 25,5% a 27% dos emplacamentos nacionais em 2026.
Mas nem todos esses veículos são destinados ao aluguel por poucos dias. Hoje, 54% da frota atende à terceirização, incluindo contratos corporativos e carros por assinatura. Os outros 46% ficam na locação diária, inclusive para motoristas de aplicativo.
A entidade estima que cerca de 300 mil automóveis alugados sejam utilizados por esses profissionais.
Carros de entrada dominam as compras; chineses ainda enfrentam barreiras
Os modelos mais acessíveis continuam sendo os preferidos do setor. De acordo com a ABLA, 75% da demanda está concentrada em veículos de entrada, como hatches e sedãs compactos, além de picapes pequenas.
O preço também limita a participação das fabricantes chinesas nesse mercado. BYD e GWM já aparecem entre as marcas adquiridas, mas os valores ainda dificultam compras em maior escala.
Para quem aluga, esse perfil ajuda a explicar a presença predominante de modelos compactos de montadoras tradicionais nas categorias econômicas.
Eletrificados crescem 120%, mas ainda são minoria nas locadoras
A frota de híbridos e elétricos chegou a 30,8 mil unidades – um crescimento de 120% em um ano.
Mesmo com esse avanço, o segmento ainda representa uma parcela pequena do setor: cerca de 1,7% do total de veículos projetado para dezembro, em uma comparação aproximada.
O preço de aquisição segue como principal barreira. Além disso, segundo a ABLA, ainda faltam modelos eletrificados que atendam ao perfil de uso de parte dos clientes.
Para o consumidor, o aluguel pode ser uma oportunidade de experimentar um elétrico antes de comprar, embora a disponibilidade ainda seja restrita.




