O preço do carro zero interrompeu uma sequência de seis anos de alta no Brasil. De acordo com levantamento da Bright Consulting, o valor médio de tabela dos veículos leves passou de R$ 172.538 em 2025 para R$ 169.984 em 2026, uma redução real de 1,5%.
Nas concessionárias, onde entram descontos e negociações, a queda foi ainda maior: o valor efetivamente desembolsado pelos consumidores caiu de R$ 157.672 para R$ 152.148, retração de 3,5%.
Os números mostram uma mudança importante no mercado automotivo.
Depois de um longo período marcado por aumentos consecutivos, as montadoras passaram a disputar clientes com mais intensidade, impulsionadas pela recuperação da produção e pela chegada de novos concorrentes, especialmente fabricantes chinesas.
Dos aumentos da pandemia à primeira queda em seis anos
A baixa registrada em 2026 ganha ainda mais relevância quando se observa a evolução dos preços desde o início da pandemia.
Em 2020, o valor médio de tabela de um veículo leve era de R$ 131.083. Cinco anos depois, esse valor chegou a R$ 172.538, um aumento superior a R$ 41 mil antes da primeira retração da série histórica.
O ritmo dos reajustes também mudou ao longo desse período. Em 2021, o preço médio subiu 17%. No ano seguinte, o avanço foi de 6,9%. Depois disso, os aumentos perderam força, passando por altas de 2,8%, 1,8% e apenas 0,5% em 2025, até chegar à queda de 1,5% este ano.
A trajetória mostra que a redução não aconteceu de forma repentina. A primeira retração foi resultado de uma série de mudanças que ganharam força ao longo desse período.
O que fez o preço dos carros mudar de direção?
Durante a pandemia, a indústria automotiva enfrentou falta de semicondutores, dificuldades logísticas e uma forte redução no ritmo de fabricação. Com menos veículos disponíveis, a demanda permaneceu elevada e os reajustes sucessivos se tornaram comuns.
Nos últimos dois anos, esse cenário começou a se inverter. A produção foi normalizada, a oferta cresceu e os consumidores passaram a encontrar mais opções nas concessionárias.
Foi nesse contexto que fabricantes chinesas aceleraram a expansão no mercado brasileiro. Marcas como BYD, GWM, Geely, GAC, Omoda & Jaecoo e Caoa Chery ampliaram a disputa em diferentes segmentos ao apostar em modelos bem equipados, tecnologias embarcadas e preços competitivos.
Essa mudança obrigou fabricantes já consolidadas a reagir. Além de revisar estratégias comerciais, muitas passaram a oferecer bônus, ampliar campanhas promocionais e reforçar o pacote de equipamentos para manter a competitividade.
Segundo a Bright Consulting, esse novo ambiente ajudou a pressionar os preços para baixo pela primeira vez desde 2020.




