A Volkswagen prepara uma das maiores reestruturações de sua história. A montadora alemã estuda reduzir em até 50% o número de modelos do portfólio global, diminuir sua produção anual para cerca de 9 milhões de veículos e projeta cortar mais de 50 mil empregos nos próximos anos.
A nova meta representa uma redução significativa em relação ao planejamento anterior. Antes da pandemia, a marca esperava produzir 12 milhões de veículos por ano. Mais recentemente, esse objetivo já tinha sido reduzido para 10 milhões.
Os planos também acenderam um alerta na Alemanha. A possibilidade de fechamento de fábricas preocupa um país onde a indústria automotiva representa um dos pilares da economia e, neste caso, a Volkswagen ocupa um papel quase simbólico para o setor.
Segundo o CEO da empresa, Oliver Blume, será necessário "eliminar a capacidade excedente", indicando que novas medidas de reestruturação, como a redução da estrutura industrial da companhia, continuam em análise.
Como o avanço das montadoras chinesas mudou a estratégia da Volkswagen
Ainda que a empresa atribua essa reorganização a fatores como custos industriais elevados, excesso de capacidade produtiva e mudanças na demanda, a rápida expansão de fabricantes como BYD, GWM, Geely e Chery intensificou a concorrência, especialmente na China, mercado que durante muitos anos sustentou boa parte do crescimento e da rentabilidade do grupo alemão.
Nos últimos anos, essas empresas ganharam participação ao combinar preços mais competitivos, ciclos de desenvolvimento mais curtos e forte investimento em eletrificação.
Como consequência, a Volkswagen perdeu espaço justamente em um país onde liderou as vendas por décadas. As fabricantes locais passaram a lançar novos veículos com mais rapidez e a oferecer tecnologias que acompanham a mudança no perfil dos consumidores chineses.
A queda nas vendas na Europa ampliou a pressão sobre a Volkswagen
Durante décadas, a Volkswagen ampliou continuamente sua linha de produtos. Agora, faz o movimento oposto: concentrar investimentos em menos veículos para recuperar margem de lucro, aumentar a eficiência e responder a um cenário global mais competitivo.
Mas a perda de espaço na China não foi o único desafio da montadora.
Na Europa, seu principal mercado de origem, as vendas ainda não voltaram ao patamar registrado antes da pandemia. Segundo a empresa, isso representa cerca de 500 mil veículos comercializados a menos por ano, cenário que reduz a rentabilidade e amplia a ociosidade das fábricas.
"A situação geopolítica se tornou mais crítica nos últimos 12 meses. Os próximos anos decidirão quem desempenhará um papel decisivo na indústria automotiva", admitiu Blume.




