Um carro zero km pode valer a pena para quem trabalha com aplicativo, especialmente depois da sanção da Lei 15.503/2026, em 14 de setembro de 2026, que garantiu a continuidade do Move Brasil.
O programa contempla veículos novos de até R$ 200 mil, movidos a etanol, flex, eletricidade ou sistemas híbridos elegíveis, com financiamento em até 84 meses e carência de até seis meses para o início do pagamento do principal.
A medida garante a continuidade das linhas de financiamento para a renovação de veículos usados por motoristas de aplicativo, taxistas e outros profissionais do transporte remunerado, além de prever modalidades específicas para entregadores e trabalhadores do transporte escolar.
A resposta muda bastante quando comparada à compra de um usado, mas depende de fatores que vão além do preço de tabela, como juros, entrada, seguro, consumo e o tempo que o motorista consegue manter o carro rodando sem parar.
Motoristas de app costumam hesitar entre um usado mais barato na entrada e um zero km com parcelas maiores.
Quem roda todos os dias, porém, sente rápido o efeito de um carro que já vem com anos de uso: consumo mais alto, peças gastas e viagens ao mecânico que tiram o carro, e a renda, da rua.
Por que um carro zero km compensa para quem vive de corridas por aplicativo?
Um carro zero km compensa, em boa parte dos casos, porque chega sem o desgaste que um motorista de app impõe a um veículo em poucos anos de uso intenso.
Rodar oito, dez ou doze horas por dia desgasta motor, suspensão e câmbio muito mais rápido do que o uso doméstico comum, então um carro que já tem alguns anos rodados chega ao motorista de aplicativo com boa parte da vida útil comprometida.
Existe ainda um limite prático que pesa a favor do carro novo em algumas cidades: a idade máxima aceita pelas prefeituras para cadastro na Uber.
Em São Paulo, Fortaleza, Brasília e Campinas, por exemplo, o limite informado pela própria Uber é de dez anos de fabricação, mas essa regra varia por município e não é um padrão nacional único da plataforma.
Nas cidades em que o limite é de dez anos, um carro zero km começa a operar com o maior prazo possível dentro dessa regra, enquanto um usado com cinco ou seis anos de fabricação já entra no programa com parte desse período consumida.
A garantia de fábrica também pesa a favor do carro novo. Alguns modelos oferecidos nas condições do Move Brasil têm cobertura de até cinco anos, mas o prazo varia conforme a montadora, o modelo e a versão.
Enquanto o carro está na garantia, reparos que normalmente pesariam no orçamento ficam por conta da montadora ou da concessionária, desde que o uso do veículo esteja dentro das condições previstas no termo de garantia.
O carro zero km sai mais barato ou mais caro para o motorista de app?
Na conta total, o carro zero km pode oferecer maior previsibilidade de custos, embora nem sempre seja mais barato do que um usado.
A comparação depende de parcela, juros, entrada, seguro, manutenção, consumo, depreciação e do tempo que o motorista eventualmente perde parado por uma pane, então não existe uma regra que valha para qualquer par de carros comparados.
O que o zero km costuma garantir é previsibilidade: revisões programadas na concessionária têm preço e prazo conhecidos, e não competem com o tempo que o motorista passa fazendo corrida.
Um carro usado, por outro lado, pode custar menos na entrada, mas tende a surpreender justamente quando o motorista menos espera, com reparos como bomba de combustível, alternador ou embreagem que tiram o carro da rua por dias, e cada dia parado é corrida perdida.
Sobre a revenda, um modelo de maior procura e com histórico de manutenção comprovado pode facilitar a troca dentro do prazo do financiamento, mas a liquidez de um carro comprado pelo Move Brasil não é garantida automaticamente pelo programa.
Ela depende de fatores como quilometragem, estado de conservação, ausência de sinistros e as condições do mercado de usados no momento da venda.









