O híbrido leve, também chamado de MHEV (sigla em inglês para veículo elétrico híbrido leve), virou a forma mais comum de eletrificação entre os carros zero km lançados no Brasil.
Na ficha técnica, porém, aparecem duas versões da tecnologia: uma com sistema elétrico de 12 volts e outra com 48 volts.
A diferença está na força que o motor elétrico consegue entregar. O sistema de 48V tem um motor elétrico cerca de quatro vezes mais potente que o de 12V e uma bateria maior.
Mesmo assim, nenhum dos dois move o carro sozinho nem precisa de tomada, e os ganhos de consumo medidos pelo Inmetro ficam próximos entre eles.
Qual a diferença entre o híbrido leve de 12V e o de 48V?
A principal diferença é a potência do motor elétrico que ajuda o motor a combustão. No Fiat Pulse e no Fastback híbridos, que usam 12V, a Fiat declara um motor elétrico multifuncional de 4 cv.
Na Fiat Toro e no Jeep Compass, que usam 48V, o motor-gerador tem 15,5 cv e 6,6 kgfm de torque, segundo as fabricantes.
Nos dois casos, esse motor elétrico substitui o alternador (peça que gera energia para o carro) e o motor de arranque. Ele dá a partida, ajuda nas arrancadas e funciona como gerador nas desacelerações para recarregar a bateria.
A bateria também muda. No Pulse, a Fiat soma à bateria comum de chumbo-ácido, que fica sob o capô, uma segunda bateria de 12V de íon-lítio, instalada sob o banco do motorista. Na Toro, a bateria é de íon-lítio, trabalha em 48V e tem 0,85 kWh de capacidade.
Por que a tensão da bateria muda o que o sistema consegue fazer?
A tensão limita quanta potência passa pelos cabos. A potência elétrica é o resultado da tensão multiplicada pela corrente, então um sistema de 48V entrega quatro vezes mais potência que um de 12V com a mesma corrente.
Para chegar à mesma força em 12V, o carro precisaria de muito mais corrente, o que exige cabos mais grossos, mais cobre e conectores maiores, com mais peso e custo.
Por isso, o 12V aproveita a estrutura elétrica que todo carro já tem, enquanto o 48V exige um chicote elétrico próprio.
Contudo, as fabricantes param nos 48V por uma questão de segurança. Normas internacionais tratam tensões contínuas acima de 60V como potencialmente perigosas, com exigências extras de isolamento. O sistema de 48V fica abaixo desse limite.
O híbrido leve de 12V ou de 48V anda só no modo elétrico?
Não, nenhum dos dois roda apenas com o motor elétrico. O motor a combustão continua responsável por mover o carro o tempo todo, e o motor elétrico só soma força em momentos específicos, como na saída de um semáforo ou numa retomada.
A recarga também acontece sozinha, com a energia recuperada nas frenagens e desacelerações.
Dessa forma, o dono não muda nada na rotina de abastecimento, e quem tem dúvida sobre isso pode conferir se o carro híbrido carrega na tomada antes de escolher o tipo de eletrificação.
O motorista sente o sistema principalmente no start-stop. Como o motor elétrico dá a partida no lugar do motor de arranque, o religamento fica mais rápido e silencioso.
Quanto o híbrido leve de 12V e o de 48V economizam de combustível?
Pelos dados do Inmetro, os dois sistemas reduzem o consumo na cidade em cerca de 11%, com pouca ou nenhuma diferença na estrada. O ganho urbano vem das arrancadas e paradas, situações em que o motor elétrico ajuda e a bateria recupera energia.
Veja a comparação com gasolina na cidade entre a versão híbrida leve e a versão equivalente sem o sistema:
- Fiat Pulse (12V): de 12,1 km/l para 13,4 km/l, ganho de cerca de 11%;
- Fiat Toro Volcano (48V): de 9,4 km/l para 10,5 km/l, ganho de cerca de 12%;
- Jeep Compass Longitude (48V): de 10,1 km/l para 11,2 km/l, ganho de cerca de 11%.
Na estrada, o Pulse híbrido repete os 14,4 km/l da versão sem eletrificação, e Toro e Compass com 48V ficam até um pouco abaixo das versões convencionais. Isso acontece porque, em velocidade constante, quase não há frenagem para recuperar energia.
Por isso, o 48V não significa automaticamente mais economia. O sistema mais forte existe porque equipa carros maiores e mais pesados, com motor 1.3 turbo, enquanto o 12V aparece em modelos compactos com motor 1.0 turbo. Em proporção, o resultado no bolso fica parecido.
Qual híbrido leve vale mais a pena na hora de comprar um carro zero km?
A tensão do sistema não deve ser o critério principal de escolha. Como a economia percentual é parecida, o que pesa mais é o porte do carro, o uso e a diferença de preço para a versão sem eletrificação.
Quem roda mais na cidade aproveita melhor qualquer um dos dois, já que é no trânsito de anda e para que o sistema trabalha. Já quem passa a maior parte do tempo na estrada sente pouca diferença no consumo.
Também vale conferir as regras do seu estado, porque isenção ou desconto de IPVA e liberação de rodízio para híbridos variam conforme o local e nem sempre incluem o híbrido leve.
Se a meta for reduzir o gasto com combustível de forma mais expressiva, o híbrido leve tem limite. Nesse caso, o caminho passa por um híbrido convencional ou por entender quando vale a pena investir em um híbrido plug-in, que rodam distâncias no modo elétrico.
O híbrido leve de 12V e o de 48V funcionam da mesma forma: um motor elétrico pequeno, ligado por correia, ajuda o motor a combustão e recupera energia nas desacelerações.
A tensão define quanto de força esse motor elétrico entrega e em que tipo de carro ele aparece, mas, nos números do Inmetro, os dois cortam o consumo urbano em proporção semelhante.