O carro REEV é um veículo elétrico que leva a bordo um pequeno motor a combustão com uma única função: gerar energia para a bateria.
As rodas são movidas sempre pelo motor elétrico, enquanto o motor a gasolina funciona como um gerador embarcado que entra em ação quando a carga baixa.
A sigla vem do inglês Range Extended Electric Vehicle, ou veículo elétrico com extensor de autonomia.
Também aparece como EREV, com o mesmo significado. Na prática, o motorista dirige um carro elétrico no dia a dia e, numa viagem longa, pode abastecer no posto sem depender de um carregador.
A tecnologia começou a ganhar espaço no Brasil com modelos chineses, como o Leapmotor C10 e o GAC GS9. Por isso, vale entender o que muda em relação aos híbridos que já são comuns no mercado.
Como funciona um carro REEV na prática?
O carro REEV roda como um elétrico enquanto a bateria tem carga e liga o motor a combustão só quando ela chega a um nível baixo. Nesse momento, o motor aciona um gerador que produz eletricidade para recarregar a bateria e alimentar o motor elétrico ao mesmo tempo.
O ponto central é que o motor a combustão não tem ligação mecânica com as rodas. Dessa forma, a sensação ao volante é sempre a de um carro elétrico, com resposta imediata ao acelerar e funcionamento silencioso.
A bateria pode ser recarregada de três formas: na tomada de casa, em carregadores rápidos ou pelo próprio gerador. No Leapmotor C10 REEV, por exemplo, a ficha técnica da Stellantis informa recarga de 30% a 80% em cerca de 3 horas em carregador de 6,6 kW, ou em 18 minutos num carregador rápido de 65 kW. Alguns modelos também deixam o motorista escolher a prioridade de uso: no lançamento, a GAC informou que o GS9 tem modos que priorizam a energia elétrica ou o motor a combustão.
Qual a diferença entre um REEV e um híbrido comum?
A diferença está em quem move as rodas. No híbrido comum, o motor a combustão é o principal responsável pela tração, e o motor elétrico atua como apoio. No REEV, acontece o contrário: só o motor elétrico traciona, e o motor a gasolina vira fonte de energia.
Os outros tipos de híbrido funcionam assim:
Híbrido leve (MHEV): um pequeno sistema elétrico de 12V ou 48V ajuda o motor a combustão nas acelerações, mas não consegue mover o carro sozinho.
Híbrido convencional (HEV): o motor elétrico pode mover o carro em baixa velocidade, com a bateria recarregada pelo motor a combustão e pelas frenagens, sem tomada.
Híbrido plug-in (PHEV): tem bateria maior e tomada, roda bastante no modo elétrico e usa o motor a combustão para tracionar as rodas em rodovias ou acelerações fortes.
Contudo, existe uma arquitetura parecida sem tomada. O sistema e-Power, da Nissan, também usa o motor a combustão só como gerador, mas tem bateria pequena e não recarrega na tomada.
REEV é a mesma coisa que híbrido plug-in?
Não, embora os dois tenham tomada e duas fontes de energia. No híbrido plug-in, o motor a combustão pode tracionar as rodas diretamente, sozinho ou junto com o elétrico. No REEV, ele nunca faz isso.
Por ter motor a combustão e tanque, o REEV é vendido no Brasil como um tipo de híbrido. A própria Leapmotor batizou a versão do C10 de Ultra-Híbrido. Na hora de comparar modelos, o que define a categoria é o papel do motor a gasolina, e não o nome comercial.
Quais são as vantagens e desvantagens de um carro REEV?
A principal vantagem é eliminar a chamada ansiedade de autonomia, o receio de ficar sem carga longe de um carregador. Em trajetos urbanos curtos, o carro pode rodar só na energia da tomada. Já na estrada, o gerador garante alcance de carro a combustão.
No Leapmotor C10, a Stellantis declara autonomia total de 950 km no ciclo WLTP, padrão europeu de medição, somando bateria e tanque de 50 litros.
Por outro lado, o REEV perde eficiência quando o gerador fica ligado por muito tempo. A energia passa por várias etapas (combustível, motor, gerador, bateria e motor elétrico), e cada conversão gera perdas.
Em rodovia, um híbrido plug-in pode ser mais eficiente porque o motor a combustão traciona as rodas diretamente.
Além disso, o dono continua com um motor a combustão para manter, com troca de óleo e revisões que um elétrico puro não exige. O conjunto também é mais pesado que o de um elétrico com bateria do mesmo tamanho, já que soma motor, gerador e tanque.
Quais carros REEV são vendidos no Brasil?
Dois modelos se destacam no mercado brasileiro atual. O primeiro é o Leapmotor C10 Ultra-Híbrido, que, segundo a ficha técnica da Stellantis, tem motor elétrico de 215 cv, bateria de 28,4 kWh, motor gerador 1.5 a gasolina e autonomia elétrica de 111 km no ciclo PBEV, o programa de etiquetagem do Inmetro.
O segundo é o GAC GS9, SUV de seis lugares que combina um motor 1.5 turbo, dois motores elétricos, um em cada eixo, e potência combinada de 500 cv.
O modelo é classificado pela GAC como um híbrido plug-in com tecnologia REEV: o motor a combustão pode gerar energia para a bateria, mas também pode atuar na tração, diferente de um REEV puro.
De acordo com os dados de lançamento da GAC, o GS9 tem bateria de 44,5 kWh e autonomia elétrica de 114 km pelo Inmetro.
Com autonomia elétrica acima de 100 km nos dois casos, quem roda menos que isso por dia e recarrega em casa pode passar a maior parte do tempo no modo elétrico, sem gastar combustível.
O carro REEV fica entre o elétrico puro e o híbrido tradicional: entrega a direção de um elétrico e guarda o motor a combustão como reserva de energia.
Ele faz mais sentido para quem tem onde recarregar no dia a dia e ainda faz viagens longas com frequência, enquanto quem passa a maior parte do tempo na estrada tende a aproveitar melhor um híbrido plug-in.