Os carros elétricos estão conquistando não apenas espaço no mercado, mas também consumidores cada vez mais dispostos a deixar os modelos a combustão definitivamente para trás.
De acordo com novo estudo da J.D. Power com 78.514 proprietários de veículos novos nos Estados Unidos, os elétricos superaram os modelos a combustão em praticamente todos os aspectos avaliados sobre a experiência de uso.
Os dados fazem parte do Automotive Performance, Execution and Layout (APEAL) 2026, que mede o grau de satisfação e envolvimento dos consumidores após os primeiros 90 dias com o veículo.
O levantamento considera 37 atributos, relacionados a aspectos como conforto, ergonomia, desempenho e prazer ao dirigir.
Entre os veículos avaliados, os modelos exclusivamente elétricos registraram alta de 22 pontos em relação à edição anterior – o maior avanço entre todos os tipos de motorização.
O número chama ainda mais atenção porque esse mercado já ultrapassou a fase em que dependia principalmente dos chamados early adopters: consumidores naturalmente mais abertos a experimentar novas tecnologias. O estudo identificou avaliações positivas tanto entre quem compra um elétrico pela primeira vez quanto entre proprietários que já tiveram outros veículos desse tipo.
Ou seja, a chegada de consumidores com diferentes níveis de familiaridade com a tecnologia não derrubou a satisfação.
Embora os dados sejam dos Estados Unidos, o comportamento ajuda a identificar uma tendência relevante para outros mercados. Essa percepção, claro, pode variar de acordo com fatores locais, como preços, oferta de modelos e infraestrutura de recarga.
Desempenho é um dos principais trunfos dos carros elétricos
É no conjunto mecânico que aparece uma das diferenças mais expressivas. Nesse quesito, os carros elétricos ficaram 109 pontos à frente dos modelos a combustão, considerando a escala de até 1.000 pontos utilizada pela J.D. Power.
A vantagem reflete características dessa motorização que pesam na experiência do proprietário. Respostas rápidas ao acelerador, funcionamento silencioso e entrega linear de potência estão entre os atributos que diferenciam a condução de um elétrico.
O dado também ganha importância porque o levantamento não mede apenas problemas ou defeitos apresentados pelos veículos. O APEAL procura entender o quanto o consumidor gosta do carro depois da compra, considerando aspectos objetivos e emocionais da convivência diária.
Recarga ainda é decisiva para a experiência do proprietário
As avaliações positivas não sugerem que todos os obstáculos da eletrificação desapareceram.
Mesmo nos Estados Unidos, a infraestrutura de recarga continua sendo um dos fatores que mais interferem na experiência, principalmente para quem depende de carregadores públicos.
Ainda assim, há sinais de melhora. Um deles aparece no U.S. Electric Vehicle Experience (EVX) Ownership Study 2026, outro estudo da J.D. Power, desta vez dedicado exclusivamente aos carros elétricos.
Entre os proprietários de elétricos premium, a avaliação da disponibilidade de recarga pública nos EUA chegou a 652 pontos em uma escala de 1.000, avanço de 101 pontos em um ano. Nos modelos de maior volume, foram 511 pontos, 115 a mais do que no ano anterior.
A expansão dos pontos de carregamento, porém, é apenas parte dessa evolução. Melhora nas baterias, maior autonomia e ganhos de eficiência também ajudam a reduzir barreiras que pesavam mais para os primeiros compradores.
Ainda assim, a infraestrutura segue decisiva para ampliar a adoção da tecnologia e ajuda a explicar por que os resultados dos Estados Unidos não se aplicam da mesma forma a outros países.



