Com recarga em casa, rodar com um carro elétrico custa cerca de quatro vezes menos por quilômetro do que com um carro a gasolina. No eletroposto rápido, a diferença cai, mas o elétrico continua na frente.
Ainda assim, o preço de compra, o seguro, o IPVA e a revenda também definem se o elétrico compensa. Para chegar a números concretos, este conteúdo compara dois compactos: o BYD Dolphin Mini, elétrico, e o Chevrolet Onix 1.0 manual, a gasolina.
Quanto custa rodar 100 km com carro elétrico e com carro a gasolina?
Na cidade, o Dolphin Mini gasta cerca de R$ 11 a cada 100 km com recarga em casa, enquanto o Onix 1.0 gasta cerca de R$ 48 com gasolina.
Segundo o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) 2026, do Inmetro, o Dolphin Mini GS consome 0,41 MJ/km, o equivalente a 11,4 kWh a cada 100 km, contra 1,38 MJ/km do Onix 1.0 manual, que faz 13,7 km/l com gasolina na cidade.
A gasolina entra com o preço médio nacional de R$ 6,55 por litro, levantado pela ANP entre 27 de setembro e 3 de outubro de 2026.
Já para a energia, a simulação usa R$ 1,00 por kWh como referência conservadora para recarga residencial, já que o valor varia conforme a distribuidora, a bandeira tarifária e a faixa de consumo.
Rodando 15 mil km por ano, o elétrico gasta cerca de R$ 1.710 com energia, contra R$ 7.170 de gasolina no Onix, uma economia próxima de R$ 5.460 anuais.
E se a recarga for feita em eletroposto?
A recarga em eletroposto rápido dobra o custo do elétrico, mas ele ainda fica abaixo da gasolina. Segundo levantamento do Canaltech publicado em agosto de 2026, os carregadores rápidos e ultrarrápidos cobram, em média, de R$ 1,50 a R$ 2,00 por kWh.
Com R$ 2,00, os mesmos 100 km do Dolphin Mini saem por cerca de R$ 23, menos da metade dos R$ 48 do Onix. Dessa forma, quem não tem onde carregar em casa perde boa parte da vantagem.
Na estrada, o carro elétrico continua mais barato?
Sim, embora a vantagem diminua. Ao contrário do carro a combustão, o elétrico gasta mais na rodovia do que na cidade, onde o motor recupera parte da energia nas frenagens.
No Ranking Folha Mauá, feito pelo Instituto Mauá de Tecnologia, o Dolphin Mini consumiu 11,1 kWh/100 km na cidade e 14,2 kWh/100 km a 90 km/h na estrada.
Com R$ 1,00 por kWh, são cerca de R$ 14 a cada 100 km de rodovia. O Onix, que faz 17,7 km/l na estrada segundo o Inmetro, gasta cerca de R$ 37 no mesmo trecho.
O carro elétrico gasta menos com manutenção?
Sim, porque tem menos peças sujeitas a desgaste. O motor elétrico dispensa óleo, velas, correia dentada, filtro de combustível e embreagem.
Além disso, a frenagem regenerativa (que usa o motor para desacelerar o carro e recarregar a bateria) reduz o desgaste de pastilhas e discos de freio.
Contudo, pneus, suspensão e fluido de freio continuam na conta. Como a bateria é o componente mais caro do carro, confira o prazo da garantia dela antes da compra.
IPVA e seguro custam mais no carro elétrico?
Depende do estado e do modelo. Segundo levantamento do AutoPapo com as regras de 2026, Acre, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul isentam o carro 100% elétrico do IPVA sem restrição.
No Amapá, a isenção vale até 31 de dezembro de 2026, e outros estados isentam com condições, como limite de preço. O Rio de Janeiro cobra 0,5%, enquanto São Paulo cobra os mesmos 4% de um carro a combustão.
O seguro ainda tende a sair mais caro no elétrico. Em cotações reunidas pelo Blog do Dok Despachante em agosto de 2026, o Renault Kwid E-Tech custou R$ 292,30 por ano a mais que o Kwid a combustão, enquanto o BYD Dolphin GS custou cerca de R$ 2.100 a mais que um VW Nivus de preço semelhante.
Em quanto tempo o carro elétrico compensa o preço mais alto?
Basta dividir o valor pago a mais pelo elétrico pela economia anual com energia. No exemplo deste conteúdo, o Onix 1.0 manual tem preço sugerido de R$ 103.990 no site da Chevrolet.
Pelo preço público de R$ 118.990, o Dolphin Mini custa R$ 15 mil a mais, valor que a economia de cerca de R$ 5.460 por ano cobre em aproximadamente 2 anos e 9 meses, sem considerar seguro e IPVA.
Na condição promocional de R$ 109.990 para a versão GL, voltada a CNPJ e venda direta, a diferença cai para R$ 6 mil e se paga em cerca de 1 ano e 1 mês.
Com a mesma economia anual, outras diferenças de preço se pagam assim:
- diferença de R$ 10 mil: cerca de 1 ano e 10 meses;
- diferença de R$ 20 mil: cerca de 3 anos e 8 meses;
- diferença de R$ 40 mil: cerca de 7 anos e 4 meses.
Quem roda 30 mil km por ano, como muitos motoristas de aplicativo, dobra a economia e corta esses prazos pela metade.
O carro elétrico desvaloriza mais na revenda?
Na média do mercado, sim, mas depende do modelo. Segundo o índice IBV Auto, do banco BV, os elétricos ano 2022 acumularam desvalorização de 50,5% até junho de 2026, contra 13,2% dos modelos a combustão equivalentes.
Por outro lado, levantamento da Gazeta do Povo com a Fipe de julho de 2026 mostrou que o Dolphin Mini 2024 perdeu 15,4% do preço de lançamento, menos que os 17,6% do Onix 1.0 manual 2023, que tem um ano a mais de uso.
Na conta de rodar, o carro elétrico sai mais barato que o carro a gasolina na cidade e na estrada, com economia maior para quem carrega em casa e roda bastante.
No longo prazo, quem decide se ele compensa é a diferença de preço somada ao seguro, ao IPVA e à revenda do modelo.