Quem pesquisa quanto ganha um motorista de aplicativo esbarra em números bem diferentes entre si.
Segundo a PNAD Contínua, a pesquisa do IBGE que mede trabalho e renda no país, os condutores de automóvel que atuavam por plataformas digitais tiveram rendimento médio mensal de R$ 2.873 em 2025, com ganho médio de R$ 14,40 por hora trabalhada.
Essa é a média nacional, não um piso nem uma garantia individual de renda. No dia a dia, motoristas ativos relatam faturamento bruto mensal entre R$ 2.500 e R$ 6.500, e a diferença entre um valor e outro depende de quantas horas a pessoa dedica ao aplicativo.
Para entender o que esses números significam na hora de planejar a compra de um carro, vale separar três coisas: a média oficial do IBGE, o faturamento bruto que varia com a jornada e o valor que sobra depois dos custos do veículo.
Qual é a média de ganhos de um motorista de aplicativo?
Como dito, a média oficial mais recente é de R$ 2.873 por mês, segundo o IBGE. O número corresponde ao rendimento habitualmente recebido pelos condutores de automóvel que atuavam por aplicativo em 2025.
O dado revela algo curioso: motoristas de aplicativo ganharam, em média, apenas R$ 68 a mais por mês que motoristas sem vínculo com plataformas (R$ 2.805).
A diferença existe porque os primeiros trabalham mais horas por semana, não porque o aplicativo pague melhor por hora, como mostra o próximo tópico.
Por não existir remuneração fixa, "rendimento" e "faturamento bruto" descrevem a atividade com mais precisão do que "salário". O que muda o resultado de um motorista para outro é, sobretudo, a quantidade de horas dedicadas ao aplicativo por semana.
Quanto o motorista ganha por hora?
O valor oficial é de R$ 14,40 por hora, segundo o IBGE. Apesar da jornada mais longa (45,9 horas semanais, contra 40,4 horas de quem não usa aplicativo), o motorista de plataforma ganha por hora menos do que esse grupo, que recebe em média R$ 16,00.
Motoristas ativos costumam falar em R$ 25 a R$ 40 por hora conectada em cenários mais favoráveis.
Essa faixa não é uma média nacional, em geral, ela considera só o tempo em que o motorista está de fato realizando uma corrida, sem contar deslocamento vazio, espera por passageiro e tempo parado no trânsito.
A comparação mais honesta usa o valor por hora efetivamente dedicada ao trabalho, intervalos incluídos, em vez do valor recebido só durante a corrida. Horários de pico, fins de semana e períodos de chuva elevam o faturamento, mas também aumentam o desgaste do carro.
Quais fatores fazem a renda variar tanto?
A renda de um motorista de aplicativo depende da combinação entre localização, jornada e plataforma. Capitais e regiões metropolitanas concentram mais corridas, mas também têm mais trânsito e mais concorrência entre motoristas.
Cidades menores têm menos chamadas ao longo do dia, com demanda concentrada em horários específicos.
O tempo de trabalho pesa tanto quanto a cidade. Quem dirige poucas horas por semana não deve comparar seu resultado com o de quem passa 50 ou 60 horas conectado.
Cada plataforma também aplica regras e tarifas próprias, e aplicativos de entrega seguem uma lógica de custo diferente da corrida de passageiros.
Qual a diferença entre faturamento bruto e o que sobra no fim do mês?
O faturamento bruto é tudo que entra na conta do motorista; o resultado líquido é o que sobra depois de pagar para rodar o carro. Essa diferença pesa mais no orçamento do que a escolha de uma plataforma ou outra.
Quem dedica de 40 a 50 horas semanais ao aplicativo costuma faturar bruto entre R$ 3.000 e R$ 4.500 por mês.
Em grandes centros, com jornadas de até 60 horas, esse valor sobe para a faixa de R$ 4.500 a R$ 6.500, e jornadas acima de 60 horas semanais podem levar o bruto a R$ 9.000 em alguns cenários, ao custo de uma rotina mais desgastante para o motorista e para o carro.
Descontados combustível, manutenção, seguro, impostos e depreciação, que juntos consomem entre 20% e 35% do faturamento bruto, o resultado líquido estimado fica entre R$ 1.500 e R$ 4.400, variando conforme a cidade, o carro e a eficiência da operação.
Quais custos entram nessa conta?
Como referência de planejamento, o combustível costuma representar entre R$ 800 e R$ 1.200 por mês, variando com o modelo do carro e a quilometragem rodada. A manutenção preventiva e corretiva, somando pneus, óleo e revisões, tende a ficar entre R$ 300 e R$ 500 mensais.
O seguro varia bastante conforme o perfil do motorista, a cidade e a cobertura escolhida, mas costuma ficar entre R$ 200 e R$ 400.
IPVA e licenciamento entram diluídos ao longo do ano, e a depreciação do veículo pode representar de R$ 500 a R$ 1.000 por mês em determinadas simulações.
Esses valores servem como referência de planejamento e devem ser substituídos por cotações reais do veículo escolhido antes de qualquer decisão de compra.
O número que mais importa, no fim das contas, não é a média do IBGE nem o faturamento bruto mais otimista de uma simulação, e sim o que sobra depois de pagar o carro.
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