Toda temporada de chuva forte, ruas alagam em poucos minutos e o motorista fica com a mesma dúvida: atravessar ou não. A resposta mais simples costuma ser também a mais segura, evite ao máximo passar por vias alagadas.
Segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), se a água atingir a metade da altura dos pneus, o certo é parar em um local seguro ou voltar pelo mesmo caminho.
Nem sempre existe outra rota disponível, principalmente em bairros com poucas saídas. Por isso, antes de decidir o que fazer, o motorista precisa avaliar alguns pontos.
Como saber se é seguro se aproximar de um trecho alagado?
É seguro se aproximar apenas quando três coisas estão sob controle: o histórico do local, a profundidade real da água e a ausência de correnteza.
- Conhecer a região ajuda a desviar de pontos com histórico de alagamento, sempre que existir um caminho alternativo;
- Testar a profundidade avançando aos poucos com o carro não é seguro, o ideal é observar referências fixas, como guias, bueiros ou o nível da água nas rodas de veículos já parados no local;
- Observar o nível da água e a presença de correnteza é o critério mais importante, se ela ultrapassar a metade das rodas ou houver correnteza visível, a travessia não deve ser tentada.
Esses três pontos resumem boa parte dos acidentes evitáveis em dias de chuva forte. Mas, lembre-se: carros diferentes têm alturas diferentes em relação ao solo, e o que é seguro para um SUV pode não ser para um carro de passeio mais baixo.
Alagamento e aquaplanagem são a mesma coisa?
Não. O alagamento é a água parada cobrindo a via, já a aquaplanagem acontece quando uma fina camada de água se forma entre o pneu e o asfalto molhado, mesmo sem poças visíveis, e o carro perde aderência em curvas ou freadas. O risco cresce com a velocidade e com pneus gastos.
Se o carro começar a aquaplanar, o procedimento é tirar o pé do acelerador aos poucos, sem frear bruscamente, e manter o volante firme até a roda voltar a fazer contato com o asfalto. Reduzir a velocidade antes de poças e trechos alagados evita boa parte dos casos.
Como atravessar um alagamento raso?
A travessia só deve ser considerada quando a água estiver visivelmente abaixo do limite de risco (abaixo da metade do pneu), não houver correnteza e não existir uma alternativa mais segura, e mesmo assim ela não é garantia de que nada vai acontecer.
Nessas condições, o motorista entra devagar, engata a primeira marcha ou a mais reduzida disponível e mantém a aceleração constante, sem trocar de marcha nem parar no meio do trecho.
Desligar o ar-condicionado antes de entrar na água também reduz a carga sobre o motor em alguns modelos.
Manter distância do carro da frente é importante, e vale evitar seguir logo atrás de caminhões e ônibus, que deslocam um grande volume de água e podem aumentar o risco de ela entrar no motor de quem vem atrás.
O que fazer se o motor morrer dentro da água?
Se o motor desligar durante a travessia, a primeira atitude é não tentar ligá-lo de novo. Uma nova partida pode fazer o motor aspirar água e causar o calço hidráulico, quando a água trava o movimento dos pistões e quebra biela e outros componentes internos.
Na sequência, o motorista liga o pisca-alerta e abre os vidros enquanto ainda é possível, já que a pressão da água pode travar as portas e os vidros elétricos assim que ela alcançar o nível das janelas, de acordo com a Defesa Civil do Paraná.
A prioridade nesse momento é acompanhar a evolução do nível da água e aguardar assistência em uma posição segura, sem tentar atravessar a correnteza a pé, desde que a água ainda não esteja entrando no carro.
Quando abandonar o carro em um alagamento?
O carro deve ser abandonado quando a água continuar subindo e ficar dentro dele deixar de ser seguro, o que costuma acontecer quando ela se aproxima da parte de baixo das portas.
Nesse momento, o motorista e os passageiros saem pela janela, se possível, em vez de abrir uma porta pressionada pela água. Acima do nível das rodas, o carro pode flutuar e ficar incontrolável.
Depois de sair, o ideal é buscar uma área elevada e estável, longe de fiação e postes, pelo risco de choque elétrico. Subir no teto do carro só entra como opção quando não houver nenhuma alternativa por perto.
Em seguida, aciona-se o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou a Defesa Civil pelo 199, e o motorista permanece visível até o resgate. A segurança das pessoas vem sempre antes da do veículo.
O que verificar depois de atravessar um alagamento?
Mesmo sem falha aparente, vale testar os freios com toques leves, em baixa velocidade e só quando for seguro fazer isso, porque eles podem estar molhados e perder eficiência por alguns metros.
Também merece atenção qualquer ruído incomum, luz acesa no painel ou perda de potência nos minutos seguintes. Se notar algo diferente, o caminho é procurar uma oficina de confiança em vez de seguir dirigindo normalmente.
Uma inspeção completa pode abranger motor, óleo, filtros, sistema de admissão, transmissão, parte elétrica, freios, iluminação, suspensão e o interior do carro, já que parte dos danos causados pela água só aparece depois, com o veículo já em uso.
Quando acionar o seguro depois de um alagamento?
O seguro deve ser acionado sempre que o carro precisar de reboque, assistência, avaliação ou reparo depois de um alagamento, de preferência antes de tentar religar o motor ou contratar qualquer serviço por conta própria.
A cobertura não é automática, ela depende da apólice contratada, e costuma envolver assistência 24 horas, guincho, reparos mecânicos e elétricos, higienização e, em casos mais graves, indenização por perda total.
Se a seguradora pode ou não negar a indenização depende da apólice, das circunstâncias do caso e da avaliação técnica feita pela própria seguradora, não existe uma regra única que valha para toda travessia por vontade própria.
Vale guardar fotos e protocolos de atendimento como registro, sempre sem se colocar em risco para conseguir uma imagem.
Evitar a água ainda é a melhor decisão
Evitar a via alagada continua sendo a decisão mais segura. Se a água estiver na metade das rodas, houver correnteza, pouca visibilidade ou obstáculos submersos, o melhor é retornar ou esperar em um local seguro.
Para quem está escolhendo um carro zero km, vale considerar recursos de segurança, altura em relação ao solo, assistência disponível e as orientações do manual, mas nenhum carro convencional é imune a um alagamento.
Prevenção protege o motorista, os passageiros e o veículo, além de evitar dor de cabeça com assistência e seguro.