A Tesla apresentou na última quinta-feira (15) a nova geração do Roadster, esportivo elétrico anunciado em 2017, em uma área de testes da SpaceX em McGregor, no Texas (EUA).
Na demonstração, sem ninguém ao volante, o carro rodou de cabeça para baixo em uma rampa, saiu do chão, girou no ar e pousou sobre as rodas. Em outra sequência, saltou sobre uma fileira de veículos da marca.
O "voo" depende de dois sistemas, segundo a fabricante: ventiladores que sugam o ar de baixo do carro para colá-lo ao solo e propulsores de gás frio (que expelem gás comprimido, sem combustão) derivados da SpaceX.
A capacidade de voar, porém, fica restrita à versão mais extrema, a Rocket, de um lugar, vendida só por convite e que, de acordo com a própria Tesla, não é aprovada para uso em vias públicas.
A empresa informa que a produção começa em 2028, mas não divulgou um cronograma detalhado de entregas. O preço final não foi divulgado, e as reservas variam de US$ 50 mil a US$ 250 mil conforme a versão. A Tesla não vende carros oficialmente no Brasil.
O Tesla Roadster voa de verdade?
Sim, mas por poucos segundos e em ambiente controlado. O que a Tesla mostrou foram saltos curtos e manobras aéreas pré-programadas, sem motorista, e não um voo sustentado com trajeto definido ou transporte de passageiros.
A própria apresentação não informou por quanto tempo o carro consegue ficar no ar. Parte da trajetória também veio do embalo ganho na rampa antes da decolagem, e a fabricante não separou quanto do movimento se deve aos propulsores e quanto à velocidade inicial.
Mesmo assim, Elon Musk tratou o resultado como marco. "Os veículos voadores são reais", disse o CEO durante o evento. Ele também admitiu que o carro pode não ser permitido em todas as jurisdições.
Como funcionam a sucção e os propulsores?
O Roadster combina um sistema de sucção multimodo com propulsores de gás frio. Segundo o site oficial da Tesla, o conjunto de ventiladores e vedação junto ao solo retira o ar de baixo do carro e gera sucção suficiente para mantê-lo de cabeça para baixo, mesmo parado.
Musk afirmou que essa sucção não foi pensada para que alguém dirija de ponta-cabeça, e sim para aumentar a pressão aerodinâmica (força que empurra o carro contra o solo) e melhorar a estabilidade em curvas e em alta velocidade.
A marca diz que o efeito existe até com o carro parado, algo que asas e aerofólios convencionais não conseguem.
Já os propulsores usam gás armazenado sob alta pressão em reservatórios e são acionados por atuadores elétricos.
De acordo com a Tesla, eles fazem microajustes em fração de segundo para estabilizar o veículo no ar. Musk descreveu o projeto como resultado da parceria entre a Tesla e a SpaceX, ambas comandadas por ele.
Quais são as versões do novo Roadster?
O esportivo terá três configurações, segundo a fabricante:
- Performance: dois lugares, homologada para rua, com aerodinâmica ativa e sucção. Reserva de US$ 50 mil;
- Thrust: dois lugares, lançamento limitado, adiciona propulsores na traseira para ganhar aceleração. Reserva de US$ 250 mil;
- Rocket: um lugar, só por convite, com propulsores em todo o perímetro da carroceria para empuxo para a frente, para cima e rotação lateral. É a única que voa, não é aprovada para vias públicas e não estará disponível em todas as regiões.
Os valores são de reserva, não de compra. A Tesla não anunciou o preço final de nenhuma versão.
Quais são os números de desempenho?
A Tesla promete aceleração de 0 a 96 km/h (60 mph) em menos de 1 segundo na versão Thrust, de acordo com o site oficial.
Dados divulgados pela Tesla apontam menos de 1,6 segundo na Performance e menos de 0,59 segundo na Rocket. Na demonstração, a marca exibiu uma medição de 0 a 96 km/h em 0,81 segundo.
Ainda segundo a fabricante, a velocidade máxima supera 370 km/h (230 mph) em modo de baixo arrasto aerodinâmico, e a autonomia supera 480 km (300 milhas) com uma carga. A ficha técnica completa, com potência, torque e capacidade da bateria, não foi divulgada.
Vale separar promessa de medição: todos esses números são declarados pela Tesla e ainda não passaram por testes independentes.
Para efeito de comparação, a marca prometia em 2017 0 a 96 km/h em 1,9 segundo, mais de 400 km/h de máxima, cerca de 1.000 km de autonomia e quatro lugares.
Ou seja, a aceleração melhorou, mas máxima, alcance e espaço ficaram abaixo do que foi anunciado há quase nove anos.
O que muda no visual e na cabine?
O desenho segue a linha minimalista da Tesla, com faróis escondidos, lanterna traseira de ponta a ponta e aerodinâmica embutida na carroceria.
Por dentro, a marca cita volante tipo manche (yoke) com direção por cabo (steer-by-wire, sem ligação mecânica entre volante e rodas), uma tela central e dois visores menores à frente do motorista.
Para reduzir o peso, a Tesla diz usar magnésio, titânio e fibra de carbono, além de posição fixa do banco. Musk afirmou que o Roadster será o único carro da marca pensado para ser dirigido manualmente, num momento em que a empresa prioriza direção autônoma.
Por que o lançamento demorou tanto?
O novo Roadster foi revelado em novembro de 2017 com entregas previstas para 2020, prazo que não foi cumprido. Desde então, a apresentação final foi adiada várias vezes, incluindo para o fim de 2025 e para abril de 2026.
A data mais recente, 1º de outubro, foi adiada em duas semanas; a empresa atribuiu a mudança à previsão de mau tempo.
A espera pesou para quem reservou. A série de lançamento de 2017, de 1.000 unidades da Founder’s Series a US$ 250 mil cada, nunca foi entregue.
O nome Roadster resgata o primeiro carro da Tesla, vendido entre 2008 e 2012 sobre a base do Lotus Elise, e uma unidade dessa primeira geração foi lançada ao espaço pela SpaceX em 2018.
O novo Roadster vai chegar ao Brasil?
Não há previsão. A Tesla não vende carros oficialmente no país e não fez anúncio sobre a entrada no mercado brasileiro, nem sobre o Roadster por aqui. Na América do Sul, a Tesla não mantém operação oficial de vendas no Brasil; modelos circulam por importação independente.
No Brasil, modelos da Tesla circulam apenas por importação independente. Além disso, a própria fabricante avisa que a versão Rocket não estará disponível em todas as regiões, e o lançamento em qualquer mercado depende de homologação local.
O que isso significa para quem vai comprar um zero km?
Na prática, nada muda no curto prazo para o comprador brasileiro. O Roadster é um esportivo de nicho, com preço final desconhecido, produção só em 2028 e sem venda oficial no país.
O que a apresentação sinaliza é a corrida das marcas por tecnologias de aerodinâmica ativa e desempenho em elétricos, que tende a chegar aos poucos a modelos mais acessíveis.
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