A General Motors confirmou na quinta-feira (22) que o Chevrolet Captiva PHEV, primeiro híbrido plug-in da marca montado no Brasil, terá autonomia combinada superior a 1.000 km com o tanque cheio e a bateria carregada, segundo a empresa.
O SUV médio será montado na Planta Automotiva do Ceará (PACE), em Horizonte (CE), a antiga fábrica da Troller.
A montagem está prevista para novembro, conforme afirmou o presidente da GM América do Sul, Thomas Owsianski, em setembro. Preço, versões e data de chegada às concessionárias ainda não foram divulgados.
O Captiva PHEV será o terceiro modelo da PACE em menos de um ano, depois do Spark EUV e do Captiva EV, e chega para disputar o segmento de SUVs híbridos plug-in hoje dominado por marcas chinesas.
Quando o Captiva PHEV chega às lojas e quanto deve custar?
Não há data oficial de vendas nem preço. Em comunicado de agosto, a GM informou apenas que o modelo será produzido no Brasil "ainda este ano".
A referência mais próxima é o irmão elétrico. O Captiva EV aparece hoje no site da Chevrolet com preço público sugerido de R$ 219.990 e preço especial de lançamento a partir de R$ 199.990.
Parte da imprensa especializada projeta o híbrido na mesma faixa ou um pouco abaixo do EV, mas isso é estimativa, não informação da marca.
Na Argentina, o Captiva PHEV foi lançado em janeiro de 2026 com garantia de 3 anos ou 100 mil km para o veículo e 8 anos ou 160 mil km para a bateria, segundo a Chevrolet local. As condições brasileiras ainda não foram anunciadas.
Qual é o motor do Captiva PHEV?
O conjunto combina um motor 1.5 de quatro cilindros aspirado a gasolina com um motor elétrico dianteiro, ligados a uma transmissão híbrida dedicada (DHT, câmbio projetado especificamente para híbridos). A tração é dianteira.
Segundo a ficha técnica argentina, a potência máxima é de 204 cv e o torque chega a 310 Nm (31,6 kgfm). A velocidade máxima declarada é de 170 km/h.
A bateria de tração é de fosfato de ferro-lítio (LFP, química mais barata e durável, porém menos densa) com 20,5 kWh. É um terço da bateria de 60 kWh do Captiva EV, o que permite deixar espaço para o motor a combustão e o tanque de 53 litros.
A recarga em corrente contínua aceita até 24,6 kW, com conector CCS2, padrão usado no Brasil. Ainda não se sabe se o modelo nacional terá os mesmos números.
A autonomia de 1.000 km é real?
O número de mais de 1.000 km é uma promessa da fabricante e soma as duas fontes de energia: o que o carro roda só na bateria mais o que percorre com a gasolina do tanque. Ele ainda não passou pela medição do Inmetro para o mercado brasileiro.
Na Argentina, a Chevrolet declara 90 km no modo elétrico e 950 km no modo a combustão, ambos pelo ciclo NEDC, o que totaliza cerca de 1.040 km. O consumo médio informado pela marca no país vizinho é de 5,3 litros a cada 100 km.
Na prática, o comprador brasileiro deve esperar números menores quando o modelo for homologado no PBEV (Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular).
O ciclo NEDC costuma resultar em autonomias mais generosas que o protocolo do Inmetro, e o uso real varia com velocidade, ar-condicionado e relevo.
O ponto central do híbrido plug-in é outro: com cerca de 80 a 90 km elétricos declarados, quem roda pouco por dia e carrega em casa pode fazer o trajeto urbano quase sempre sem gasolina, deixando o motor a combustão para viagens.
O que muda em relação ao Captiva EV?
Pouco por fora. O PHEV mantém carroceria, faróis divididos, grade estreita e lanternas do Captiva EV. A diferença visual é a segunda portinhola na lateral: uma para a recarga elétrica e outra para o abastecimento de gasolina.
As medidas também são praticamente iguais: 4,74 m de comprimento, 1,89 m de largura e 2,80 m de entre-eixos, com lugar para cinco ocupantes. Na Argentina, o porta-malas do híbrido tem 532 litros, contra 403 litros declarados para o Captiva EV vendido no Brasil.
A lista de equipamentos deve seguir a do elétrico. No modelo argentino, a Chevrolet oferece rodas de 18 polegadas, painel digital de 8,8 polegadas, multimídia de 15,6 polegadas, teto solar panorâmico, câmera 360 graus, seis airbags, frenagem automática de emergência, controle de cruzeiro adaptativo e assistente de permanência em faixa.
Onde e como o Captiva PHEV será produzido?
O SUV será montado em regime SKD (semi knocked down), a partir de kits de peças parcialmente montadas importados da China. É o mesmo processo usado no Spark EUV e no Captiva EV na PACE.
O projeto nasceu na China como Wuling Starlight S, da joint venture SAIC-GM-Wuling, e ganhou visual Chevrolet para outros mercados.
A planta de Horizonte foi inaugurada em 1995 para os jipes Troller, passou para a Ford e ficou parada após 2021, até ser reativada pelo grupo Comexport. Além da GM, a fábrica também deve montar modelos da MG Motor.
Quais são os rivais do Captiva PHEV?
O Captiva PHEV entra em um segmento de SUVs híbridos plug-in com forte presença chinesa, que inclui BYD Song Plus e Song Pro, GWM Haval H6, Geely EX5 EM-i e Leapmotor C10, entre outros.
Na comparação técnica, o Geely EX5 EM-i usa baterias de 18,4 kWh ou 29,8 kWh, com 65 km ou 112 km de autonomia elétrica declarada, e 262 cv, segundo a Canaltech.
O SUV da Geely foi lançado em abril a partir de R$ 189.990. Os números de cada marca vêm de medições e protocolos diferentes, então a comparação direta só será justa quando todos tiverem dados do Inmetro.
O Captiva PHEV terá motor flex?
Não há confirmação. Nos mercados em que já é vendido, o motor 1.5 funciona apenas com gasolina.
O vice-presidente da GM na América do Sul, Fábio Rua, afirmou que o Brasil vai produzir os primeiros motores híbridos flex do grupo, mas eles devem estrear em modelos nacionais como o Tracker, com sistema híbrido leve de 48 volts, e não no Captiva.
O que isso significa para quem vai comprar um zero km
Para quem procura um SUV médio eletrificado, mas ainda tem receio da autonomia de um elétrico puro, o Captiva PHEV amplia as opções com uma marca tradicional e montagem local.
Antes de decidir, vale esperar três informações: o preço oficial, a autonomia elétrica homologada pelo Inmetro e a lista de equipamentos da versão brasileira.
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