O Mundo ZeroKm esteve presente no Festival Interlagos, realizado no Autódromo José Carlos Pace, e acompanhou de perto a estreia oficial da BAIC no Brasil.
A chinesa, quinta maior montadora do país de origem, aproveitou o evento para apresentar seus dois primeiros modelos por aqui, os elétricos Arcfox T1 e Arcfox T5, e para detalhar um plano de expansão considerado um dos mais agressivos entre as marcas chinesas.
A operação comercial começa em novembro de 2026, e a meta da BAIC vai muito além de vender alguns milhares de carros: a empresa quer entrar entre as dez marcas mais vendidas do Brasil até 2028 e entre as cinco maiores até 2030.
Quais carros a BAIC apresentou no Festival Interlagos?
A BAIC mostrou dois elétricos que abrem sua operação no Brasil: o Arcfox T1, um hatch compacto, e o Arcfox T5, um SUV de porte médio.
Os dois carros ficaram em exposição estática no evento, sem preço nem data exata de venda anunciados ali, só a confirmação de que chegam às lojas em novembro.
Arcfox T1
O Arcfox T1 é um crossover elétrico compacto de 4,33 m de comprimento e entre-eixos de 2,77 metros, com porta-malas de cerca de 459 litros, dimensões próximas às do BYD Dolphin, um dos principais concorrentes que ele deve enfrentar no Brasil, junto com o Geely EX2 e o GAC Aion UT.
Na configuração vendida na China, o motor tem 95 cv e a bateria LFP tem cerca de 42 kWh, com autonomia de até 425 km no ciclo chinês CLTC (medida diferente da usada pelo Inmetro no Brasil, geralmente mais rigorosa).
O carro traz painel digital de 8,8 polegadas, central multimídia de 15,6 polegadas, câmera com visão de 540 graus e um pacote de assistência à condução de nível 2. A configuração que virá ao Brasil ainda não foi confirmada.
Arcfox T5
O Arcfox T5 é um SUV elétrico de 4,69 m de comprimento, 1,93 metros de largura e entre-eixos de 2,84 metros, maior que o BYD Yuan Plus e concorrente direto do GAC Aion V.
As versões vendidas na China variam bastante: motores de até 272 cv, baterias entre 65 e cerca de 79 kWh e autonomia entre 560 km e 660 km no ciclo CLTC, dependendo da configuração escolhida. Ainda não há confirmação de qual dessas versões chega ao Brasil e se vai ter algum ajuste para a realidade do nosso país.
Qual é o plano de expansão de concessionárias da BAIC?
A BAIC pretende abrir 50 concessionárias a cada seis meses no Brasil. Eles pretendem começar com 30 revendas em novembro, com meta de fechar 2026 com 50 lojas e chegar a 150 até o fim de 2027, um ritmo de expansão bem mais acelerado do que o normalmente visto entre montadoras recém-chegadas ao país.
A meta declarada é entrar no top 10 de marcas mais vendidas até 2028 e no top 5 até 2030. Para alcançar essa segunda meta, a BAIC precisaria vender mais de 170 mil carros por ano no Brasil, o equivalente a cerca de 7% do mercado nacional, um volume que hoje só as marcas mais estabelecidas do país atingem.
Para isso, a BAIC planeja lançar um novo modelo a cada três meses no Brasil, com dez carros confirmados até 2028, distribuídos em três marcas: a própria BAIC, focada em SUVs híbridos; a Arcfox, com os crossovers elétricos que já chegam agora; e a Stelato, linha de luxo prevista para entrar em operação separadamente mais adiante.
Entre os lançamentos já sinalizados está um SUV híbrido flex, pensado especificamente para rodar com o etanol disponível no Brasil.
A BAIC vai fabricar carros no Brasil?
Sim, a decisão de produzir localmente já está tomada. A empresa ainda avalia três caminhos possíveis: construir uma fábrica nova, comprar uma planta já existente ou alugar espaço de outra montadora instalada no país.
O plano inicial prevê importar componentes sem equivalente nacional, com nacionalização progressiva das peças ao longo do tempo.
A operação brasileira é liderada por Oswaldo Ramos, que já havia comandado a entrada da GWM no país, uma escolha que sinaliza que a BAIC está repetindo, em ritmo ainda mais rápido, uma estratégia de expansão que já deu certo para outra chinesa por aqui.
Globalmente, a BAIC vendeu 1,75 milhão de veículos em 2025, com 308 mil unidades exportadas, e está presente em mais de 130 países. A expectativa da própria marca é que o Brasil se torne sua maior operação fora da China.