Desde 24 de agosto de 2026, o aplicativo CNH Digital (o app oficial "CNH do Brasil") passa a mostrar, em um único lugar, todas as passagens de um veículo pelos pedágios automáticos ‘sem cancela’ (free flow), em que o veículo é identificado por câmeras sem precisar parar.
Segundo dados divulgados pelo Ministério dos Transportes, o sistema já processou mais de 200 milhões de registros de passagens; só em agosto foram cerca de 10 milhões.
O motivo para prestar atenção agora, logo no início de setembro, é que existe um prazo de transição em que ainda não há multa por atraso na regularização dessas cobranças, mas ele termina em 16 de novembro de 2026.
O que é pedágio free flow, afinal?
É o modelo de pedágio automático, sem cabine e sem cancela: pórticos equipados com câmeras e sensores, instalados sobre a pista, identificam a placa do carro enquanto ele passa em velocidade normal, sem precisar parar, reduzir ou pegar uma tag física.
No dia a dia, esse sistema também é chamado de "pedágio por câmera", "pedágio sem parar" ou simplesmente "free flow" mesmo, pois o termo em inglês pegou tanto que virou o nome popular no Brasil, mesmo sem tradução oficial.
Quem tem uma tag de pedágio associada à placa costuma ser cobrado automaticamente. Quem não tem passa do mesmo jeito, só que a cobrança some notificação, e por isso a consulta manual se tornou tão importante.
Como funciona a nova função no app CNH Digital?
Basta abrir o app CNH do Brasil, ir até a aba "Veículos", escolher o carro na lista e tocar em "Pedágio eletrônico" para ver o histórico de passagens.
Por padrão, o app mostra os últimos 30 dias, mas dá para consultar registros de até 5 anos atrás, tudo dentro do mesmo aplicativo que já era usado para carteira de motorista e documentos do veículo.
Empresas com frota em nome de CNPJ não usam o app: o acesso, nesse caso, é feito por canal próprio para pessoa jurídica no portal da Senatran/órgão responsável, com fluxo específico para frota.
Quais informações aparecem sobre cada passagem?
O app mostra a placa do veículo, a data e o local da passagem, o número do pórtico, o valor da tarifa cobrada, o nome da empresa responsável pelo trecho e a situação do pagamento, se está pendente, pago ou vencido.
É basicamente um extrato unificado de tudo o que o carro passou em pedágios automáticos, independentemente de em quantos estados diferentes ele rodou.
Como pagar depois de consultar a fatura?
O próprio app direciona para o canal de pagamento da empresa responsável pelo trecho onde a passagem aconteceu, já que o pagamento em si não é processado pela Senatran, é importante ressaltar que o app funciona como uma central de consulta, não como uma central de cobrança.
Como cada trecho de rodovia pode ser administrado por uma empresa diferente, é normal que o motorista seja direcionado a mais de um canal de pagamento se tiver passado por pórticos de operadoras diferentes no mesmo período.
Até quando dá para pagar sem multa?
A regra padrão é de 30 dias a partir do processamento da passagem, mas existe um regime de transição (vigente desde 29 de abril de 2026 por 200 dias) que suspende a nova penalidade por não pagamento, com prazo final em 16 de novembro de 2026.
Ou seja, até essa data, mesmo quem atrasar o pagamento não é enquadrado como evasão de pedágio; depois dela, a regra dura passa a valer de fato.
O que acontece se eu não pagar depois do prazo de transição?
A partir de 16 de novembro de 2026, deixar de pagar uma passagem de free flow dentro do prazo passa a configurar evasão de pedágio, infração grave que gera multa de R$ 195,23 e 5 pontos na carteira de habilitação.
É o mesmo peso de outras infrações graves de trânsito, e um motivo concreto para não deixar o app sem checar por muito tempo.
Em quais estradas o Brasil já tem free flow?
O sistema já opera em rodovias de vários estados, como Rio de Janeiro (BR-101, no trecho Rio–Santos), São Paulo (ex.: SP-360, SP-063, SP-099, além de sistemas como Via Dutra e Anhanguera-Bandeirantes) e Rio Grande do Sul (ERS-122, ERS-240, ERS-446), entre outras.
No total, são 15 rodovias no país já operando com pórticos de free flow, segundo o Ministério dos Transportes.
O free flow vai continuar crescendo no Brasil?
Sim, e bem rápido: segundo a ABCR (associação que reúne as empresas responsáveis pelas rodovias concedidas), o número de pórticos de free flow deve dobrar até o final de 2027, com a expectativa de que praticamente todas as cabines de pedágio tradicionais do país sejam substituídas pelo modelo automático em cerca de cinco anos.
É esse ritmo de expansão que torna a integração com o CNH Digital mais urgente do que parece.
O sistema hoje já convive com uma taxa de inadimplência de 7% a 8% nas cobranças automáticas, bem mais alta do que nas cabines tradicionais, justamente porque boa parte dos motoristas nem sabe que passou por um pórtico até a cobrança aparecer, ou nunca chega a aparecer em lugar nenhum.
Concentrar essa informação num app que o motorista já usa para outras coisas é, na prática, uma tentativa de reduzir esse número antes que a malha de free flow dobre de tamanho.
Dá para contestar uma cobrança que parece errada?
Sim. Se a passagem não for reconhecida, se a placa tiver sido lida errado, se houver cobrança duplicada ou qualquer outra divergência, o primeiro passo é abrir uma contestação diretamente com a empresa responsável pelo trecho.
Se o problema não for resolvido por esse canal, o motorista pode recorrer aos órgãos reguladores ou aos canais de defesa do consumidor, como o Procon.